![]()
![]()
NOVO TESTAMENTO
EVANGELHO SEGUNDO SÃO MARCOS
O segundo Evangelho, atribuído tradicionalmente a Marcos, companheiro de Paulo e de Pedro (At 12,12; cf notas da Bíblia de Jerusalém) é, em realidade, o primeiro dos evangelhos sinóticos a se fixar por escrito. Foi composto pouco depois do ano 70, talvez em Roma e para cristãos vindos do paganismo. Distingue-se por sua reduzida extensão e por interessar-se mais pelas ações de Jesus do que por suas palavras.
· Marcos é célebre pelo encanto de suas narrativas, cheias de detalhes concretos e pitorescos. Ler algumas das seguintes passagens: 2,1-12; 5,21-43; 6,17-29; 9,14-29; 10,46-52. Compará-las com as passagens paralelas de Mateus e Lucas e notar os detalhes que parecem tomados ao vivo.
Mas, por vezes, acontece também que suas narrações são reduzidas aos elementos essenciais. Ler 1,12-13; 15,1620; 33-39 e compará-las com seus paralelos.
O evangelho de Marcos segue a ordem geral que lhe vem da tradição e que se encontra em todos os evangelhos: pregação do Batista, ações e palavras de Jesus na Galiléia e em Jerusalém, sua Paixão e Ressurreição. Este dado tradicional é, porém, interpretado de maneira muito pessoal. Este evangelho, que se lê freqüentemente como um resumo fiel da história de Jesus, é, em realidade, uma meditação do mistério de Jesus que atinge uma grande profundidade. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, p. 7).EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS
O autor deste Evangelho, que continuaremos a chamar de Mateus - embora nada permita identificá-lo, com certeza, ao Apóstolo deste nome - era um judeu convertido. Exercia funções de doutrinador, como o fazem supor seus dons pedagógicos, seu conhecimento da Escritura e tradições tanto judaicas como evangélicas. Escreveu nos anos 70-85 para uma comunidade cristã de origem judaica, estabelecida na Síria ou Fenícia.
O primeiro Evangelho, o Evangelho de Mateus não é o primeiro cronologicamente. Foi composto depois do de Marcos, que conhece e segue de perto. Mas utiliza também outras fontes evangélicas, particularmente uma coleção de sentenças da qual Lucas também se serviu.
Mateus caracteriza-se pela ordem e clareza, como também pela atenção que dá às palavras de Jesus.
· As narrações reduzem-se ao essencial: comparar Mt 8,28-34 com Mc 5,1-20. As palavras se reúnem e se ordenam em forma de discursos. Assinalar os cinco grandes discursos de Mateus, todos terminados com a mesma fórmula: 7,28; 11,1; 13,53; 19,1; 26,1.
As qualidades do evangelista respondem a suas preocupações catequéticas. Diante do judaísmo, cristalizado em sua oposição, Mateus quer situar a fé cristã. Seu evangelho é dedicado a uma comunidade que tende ao conformismo, em vez de ser estimulada pelos ataques de que é alvo e preconiza o ideal da justiça perfeita, que deveria ser o de todo cristão. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, pp. 14-15).EVANGELHO SEGUNDO SÃO LUCAS
O autor do terceiro evangelho, em quem a tradição reconhece São Lucas, o companheiro de Paulo durante os anos de 55 a 60, não é, como Mateus ou Marcos um judeu, mas um pagão. É um homem culto, de coração delicado, um artista cheio de finura e matizes.
· Para apreciar sua arte, ler seguidamente a narração da Anunciação (1,26-38), a parábola do filho pródigo (15, 11-32) e o episódio dos discípulos de Emaús (24, 13-35). Lucas escreve pelo ano de 80. Seus leitores pertencem ao mundo grego, como ele e as Igrejas fundadas por São Paulo.
. Lucas explica seu plano no prólogo de seu evangelho (1,1-4). Quais são as suas preocupações de escritor?
Para compor a narração ordenada que promete, Lucas segue o evangelho de Marcos passo a passo, mas o interrompe duas vezes (6,20-8,3 e sobretudo 9,51-18,14), para inserir nesses lugares uma documentação que lhe é própria ou que ele tira da coleção de sentenças já usada por Mateus.
Além disso, como Mateus, Lucas coloca no início de seu evangelho páginas muito pessoais, consagradas à infância de Jesus. Ele é o único dos evangelistas a acrescentar, depois, à sua obra um segundo volume, os Atos dos Apóstolos, no qual descreve a Igreja nascente, que prolonga a atividade de Jesus e leva o evangelho a todas as nações. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, pp. 22-23).OS ATOS DOS APÓSTOLOS
O segundo livro de Lucas adota a estrutura, bem conhecida, dessas obras que narram as façanhas de personagens célebres. Foi escrito, como o terceiro evangelho, por volta do ano 80, para leitores cristãos.
Narra, mas de maneira incompleta, os começos da Igreja e sua rápida expansão, baseando-se nas lembranças das igrejas locais, fundadas pelos primeiros apóstolos ou daqueles que estiveram em relações, com eles. Não se exclui a possibilidade de Lucas aproveitar suas próprias recordações, pois acompanhou Paulo freqüentemente em suas viagens.
No terceiro evangelho são relatadas duas missões: primeiro, a dos Doze (9,1-2) e, depois, a dos discípulos (10,1). Há, igualmente, no livro dos Atos duas missões (as duas partes do livro): a de Pedro, o Apóstolo, destinada aos judeus (cap. 1-12); depois a de Paulo, o discípulo (9,26), reservada aos pagãos (cap. 13-28).
Como também no Evangelho, tudo começa por humildes inícios, "na sala do alto" e, depois de um longo e difícil percurso, alcança maravilhoso desenvolvimento, não mais em Jerusalém, mas até os confins do mundo, até a própria Roma. O segundo livro de Lucas é composto como o primeiro: um único e mesmo pensamento os inspira. Neste último momento da história, que se inaugura com o nascimento da Igreja, a salvação em Jesus Cristo é oferecida a todos os homens. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, p. 31).CARTA AOS FILIPENSES
Durante sua terceira viagem missionária, Paulo fará uma longa estadia em Éfeso (At 19). Aí, graves acontecimentos o obrigam a escrever às igrejas de Filipos, da Galácia e de Corinto, cartas, que se sucedem em poucos meses, durante os anos de 56-57, numa ordem que não se pode estabelecer com inteira certeza.
O Apóstolo fundara a comunidade de Filipos no começo de sua segunda viagem (cf. At 16,11-40). Desde então, suas relações com ela eram muito cordiais, a ponto de aceitar - e dela somente! - uma ajuda em dinheiro (2 Cor 11,9). Atualmente, Paulo se acha na prisão, provavelmente em Éfeso. Logo que os filipenses têm, notícia desse cativeiro, apressam-se em ajudá-lo e lhe enviam um membro da comunidade. Paulo lhe agradece com esta carta. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, p. 39).CARTA AOS GÁLATAS
A província romana da Galácia estendia-se no centro da Ásia Menor por um vasto território que abarcava também a cidade de Ancira, ao norte e, ao sul, a de Listra. Paulo percorreu esta província em todas as suas viagens missionárias (At 13-14; 16,1-6; 18,22-23).
A Carta aos Gálatas é o único documento que registra a crise que abalou os cristãos da Galácia. "Alguns" indivíduos (1,7) lançaram a perturbação entre eles, declarando que a prática da Lei (e especialmente da circuncisão (6,12) era indispensável à salvação (cf. At 15,1.5). Inteirado dos acontecimentos, Paulo escreve aos gálatas uma carta inquieta e apaixonada, que, às vezes chega a ser obscura por causa de sua concisão. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, p. 41).PRIMEIRA CARTA AOS CORÍNTIOS
A comunidade de Coríntio foi fundada por Paulo durante sua segunda viagem missionária. Depois de sua partida, a evangelização continuou, graças à presença de um recém-vindo, ApoIo (At 18).
Paulo se acha agora em Éfeso (At 19,1). A comunicação entre Corinto e Éfeso é fácil, por mar. Paulo escreve uma carta aos coríntios, carta que não chegou a nossas mãos (1 Cor 5,9). Estes lhe escrevem, por sua vez, fazendo-lhe uma série de perguntas. Os “da família de Cloé” chegam (1,11) e também Apolo se reúne com Paulo (16,12).
A primeira carta aos coríntios dá-nos a reação de Paulo diante das informações orais que recebera e as respostas às perguntas que lhe haviam sido feitas por escrito. Tais circunstâncias explicam o caráter muito particular da carta, que aborda, sucessivamente, assuntos muito diversos. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, p. 44).SEGUNDA CARTA AOS CORÍNTIOS
A primeira carta aos coríntios referia-se às divisões existentes no seio da Comunidade (1 Cor 1,12). A situação se tinha agravado. Sob a influência de pessoas que, talvez, estivessem atuando há mais tempo (1Cor 4,18-19), a autoridade de Paulo não foi tão fortemente contestada que provocou uma grave crise. Esta foi à ocasião para o que hoje chamamos a Segunda Carta aos coríntios, um escrito que apresenta anomalias tais que se supõe ser o conjunto de muitas cartas e bilhetes, redigidos em diferentes datas, embora próximas. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, p. 50).
CARTA AOS ROMANOS
Deixamos Paulo na Macedônia (2 Cor 2,13; 7,5), onde, com a volta de Tito, ele escreve a 2 Cor 1-7. A Comunidade reencontrou a calma. Prosseguindo seu caminho, Paulo chega a Corinto e passa aí três meses (At 20,3). Pensa-se que aí dita (16,22) a Carta aos Romanos, no princípio da primavera de 57 (ou 58), antes de embarcar para Jerusalém e preparar uma nova viagem que o levará até Roma.
- Quais os projetos do Apóstolo e suas relações com os romanos segundo 1,8-15 e 15,14-32 (cf. nota Bíblia de Jerusalém a 15, 23)?
Durante sua estadia, no inverno, em Corinto, onde já não se sente acabrunhado por prementes preocupações, Paulo pode voltar a considerar os problemas que lhe foram propostos nos últimos anos, particularmente por ocasião da crise judaizante. Brota, assim, uma exposição profunda e serena que ele apresenta aos romanos, numa carta que é a mais longa e a mais importante de todas as que escreveu. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, p. 53-54).CARTA A FILEMON
Um escravo fugiu da casa de seu mestre depois de ter cometido um roubo; acontecimento comum, banal na época. Mas Paulo encontrou em seu caminho o fugitivo e fez dele um cristão. Agora devolve a seu mestre o escravo transformado em irmão.
- Notar com que delicadeza o apóstolo exprime seus próprios sentimentos e sugere a atitude que um cristão deve ter em tais circunstâncias.
A carta a Filemon é a última escrita por S. Paulo, conforme consenso unânime. Das seis cartas que se seguem, não se pode afirmar com toda segurança que tenham como autor o apóstolo; são todas escritos paulinos, no sentido de que foram redigidas sob a influência de seu pensamento. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, p. 61).CARTA AOS COLOSSENSES
Há dúvidas sobre a origem desta carta, mas pode-se pensar que também ela é da autoria do apóstolo. Como no caso da Carta a Filemon, Paulo está preso (não se sabe onde nem quando). Não foi Paulo que anunciou o Evangelho aos habitantes de Colossos (ver a situação da cidade num mapa) mas, informado sobre as dificuldades que esta Igreja atravessa, ele dirige uma carta à comunidade. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, pp. 61-62).
CARTA AOS EFÉSIOS
Não é certo que esta nova carta, que se inspira freqüentemente na precedente, seja de Paulo, nem que tenha sido escrita durante sua vida ou dirigida aos cristãos de Éfeso. Suas fórmulas solenes, os hinos e orações que ela contém sugerem uma origem litúrgica. Pensa-se que ela é, não um escrito de circunstância, como as epístolas de Paulo, mas uma carta circular, destinada às Igrejas da Ásia Menor, proveniente de um meio profundamente impregnado do pensamento paulino.
Religiões novas, que propunham a salvação pelo conhecimento dos segredos celestes, obtinham então um certo sucesso, sobretudo na Ásia Menor. Em face dessas religiões e muitas vezes, com seu vocabulário, o autor da carta apresenta o cristianismo como sendo a revelação de um mistério divino de salvação, realizado por Cristo, na Igreja, em favor de todos os homens. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, p. 63).EPÍSTOLA AOS HEBREUS
A respeito desta carta, há dúvida sobre a autoria, não podemos precisar que a epístola aos Hebreus seja de autoria de Paulo. Pois, não se encontra nela o entusiasmo do apóstolo nem suas preocupações habituais, nem sua maneira própria de exprimir. Supõe-se apenas que ela foi escrita sob sua influência (por pessoa de sua intimidade?).
O autor da carta permaneceu no anonimato. Compôs sua obra antes da destruição do Templo em 70, quando o culto ainda era aí celebrado. Ele se dirige a uma comunidade capaz de apreciar seu conhecimento da Escritura, e que a quer encorajar porque ela enfrenta numerosas dificuldades.
A epístola não é uma verdadeira carta; ela própria se define como um "discurso de exortação" que o autor envia à comunidade a que é destinada, acompanhando-a com uma palavra de saudação (cf. 13-22-23). (cf. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, p. 69).CARTA DE SÃO TIAGO
Quando um autor do Novo Testamento quer dar mais peso a seu ensinamento, o atribui a um apóstolo - se ele mesmo não o é! - ou a algum personagem importante. Não é surpreendente, pois que o autor da presente carta tenha escolhido por autor Tiago, o irmão do Senhor (Gl 1,19), o Chefe da Igreja de Jerusalém (Gl 2,9; At 15,13; 21,18). Ele queria, cerca do ano 80 talvez, dirigir uma exortação, não a uma Igreja local, mas a grupos de cristãos; mas relacionados com os judeus da Diáspora (1,1). É por isso que usa uma linguagem muito próxima do judaísmo, e especialmente dos escritos de sabedoria. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, p. 77).
PRIMEIRA CARTA DE PEDRO
Esta é uma verdadeira carta redigida conforme as regras habituais, com endereço (1,1-2) e saudações (5,12-14). Pode-se crer que seu autor seja Pedro mesmo, utilizando para redigi-la os serviços de um secretário que ele menciona, Silvano (5,12), um homem que foi também companheiro de Paulo (cf. At 15, 22; BJ).
O apóstolo encontrava-se em Roma (Babilônia; cf. 5,13) onde não havia começado ainda a perseguição de Nero, durante a qual encontraria a morte, no ano 64. Daí ele escreve às Igrejas da Ásia Menor, que, em sua maioria, tinham sido fundadas pelo apóstolo Paulo. A fé dos cristãos, sua maneira de viver irritam os pagãos que o manifestam. Pedro quer reanimar a fé dos cristãos, e exortá-los a ficarem firmes. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, pp. 78-79).O EVANGELHO DE SÃO JOÃO
Conforme a tradição, "o quarto Evangelho teria por autor o discípulo que Jesus amava", João, filho de Zebedeu. De uma das grandes cidades da Ásia Menor, Éfeso provavelmente, ele se dirige aos cristãos trabalhados pela propaganda que já conhecemos (pág. 82); alguns desses cristãos, de origem judaica, foram excluídos das sinagogas (cf. 9,22; 16,2) por um judaísmo endurecido em sua oposição.
Quando se termina o quarto Evangelho, nos dez últimos anos do século I, os evangelhos sinóticos, já estavam escritos. Como eles, nosso evangelho, narra o que "Jesus fez e ensinou"; compõe-se de narrações e discursos. Sabemos que os evangelhos sinóticos foram redigidos sobre a base "de uma tradição evangélica já antiga (pág. 5). João não ignora esta tradição; às vezes reproduz palavras de Jesus com os mesmos termos que os sinóticos (cf. 2,19; Mt 26,61) e algumas de suas perícopes podem ser postas em paralelo com as delas (cf. 6,16.21; Mt 14,22-32).
Mas estes exemplos são raros. João utiliza mais freqüentemente seus próprios materiais: inclusive, quando conserva expressões tradicionais, apresenta as palavras de Jesus de uma maneira totalmente diferente. Os longos capítulos do quarto Evangelho originam-se provavelmente de homilias familiares pronunciadas pelo apóstolo, nas quais os dados provenientes da tradição, misturadas às lembranças daquilo que ele viu (19,35), eram escolhidos, pensados e expressos, na forma ritmada com que João gostava de sua reflexão contemplativa.
O quarto evangelho tem uma organização que lhe é própria. Da ordem geral da tradição sinótica, João só conservou o começo (João Batista e o fim, Paixão-Ressurreição); não distingue um ministério galileu e uma subida a Jerusalém. Mas um profundo corte no primeiro versículo do capítulo 13 separa o evangelho em duas partes muito nítidas: na primeira (1,19 a 12,50) Jesus realiza "sinais" na perspectiva da "Hora" que vem; na segunda parte (caps. 13-21), "chegou a Hora" da Paixão e da glória. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, pp. 85-86).APOCALIPSE
O Apocalipse é um livro estranho e... Impenetrável, se paramos nos detalhes de suas representações simbólicas, porque o Apocalipse, pertence a um gênero literário, em que as visões fantásticas fazem parte de seu estilo (cf. Daniel).
Mas o livro torna-se fascinante, se se considera que, em seu conjunto, exalta a vitória do Cristo através da história dos homens, não seguindo o desenrolar desta história, mas fornecendo sua interpretação histórica.
João, seu redator, é identificado com o autor do quarto Evangelho. Conquanto esta identificação levante alguns problemas, pode-se acreditar que o Apocalipse tenha sua origem nos meios joaninos de Éfeso.
Estamos então nos últimos anos do primeiro século, no fim do reinado do imperador Domiciano. O culto do imperador divinizado se espalha, e torna-se o teste da lealdade política: todo bom cidadão deve dele participar. Os cristãos professam a existência de um só Deus e um só Senhor. Recusa esta nova forma de idolatria que é o culto imperial: expõem-se ao martírio. Para bem compreender o Apocalipse, é preciso que esta situação seja lembrada. (fonte. Monloubou, Pe. Louis e Bouyssou, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia - Novo Testamento . Rio de Janeiro, Edições Lúmen Christi, 1980, p. 96).
Fonte de Pesquisa:
www.bibliacatolica.com.br
Estrada do Itanhangá, 30 - Itanhangá - Rio de Janeiro - R.J.
Cep: 22753-005 - Telefax: (21)2493-7488